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O JUIZ DE PAZ DA ROÇA
O universo da gente roceira do Brasil do século XIX foi o universo levado pelos alunos do Nível 1 do Curso de Teatro da Companhia da Ilusão ao público Brasiliense. A peça O Juiz de Paz da Roça, de Martins Pena, entrou em cartaz no teatro do Cnec nos dias 30 de junho de 1º de julho de 2010. Com direção de Alberto Bruno, a peça mostra o dia-a-dia de uma família da roça e do cotidiano de um juiz de paz com valores éticos bem questionáveis. Porém, nesse ambiente, as falhas de caráter do juiz ganham um tom de simplicidade e inocência que geram boas risadas na plateia.
Para Nális Torres, de 30 anos, que interpretou um dos litigantes que levam suas petições ao juiz de paz, a primeira experiência teatral teve como resultado um processo de autoconhecimento e um mecanismo de libertação. “O mundo do teatro é fascinante”, afirma ela. “Não é apenas interpretação de um personagem. O trabalho requer a compreensão da crítica que o texto carrega, o universo das personagens, os costumes da época e a época em si”, explica Nális. “Apesar de ser um texto do século XIX, sua crítica é extremamente atual”.
Para sua colega de elenco Fernanda Wang, de 27 anos, o teatro também significou uma espécie de libertação. “O grande desafio é se libertar das convenções que a sociedade nos impõe, de que não podemos errar ou ser ridículos, para escolher o que é melhor para o personagem que se vai interpretar”, explica Fernanda. Em O Juiz de Paz, ela interpretou dois personagens. No primeiro dia, integrou o elenco como um dos litigantes e, no segundo, subiu ao palco como Josefa Joaquina, uma roceira muito “saidinha” que tenta seduzir o juiz para conseguir vantagens.
Outro núcleo da peça é constituído pela família de “Mané Jão”, formada por sua mulher, Maria Rosa e sua filha Aninha, que se apaixona por XX e decide fugir para se casar com ele. Rafael Bicalho, de 19 anos, que interpretou “Mané Jão”, conta que o maior desafio foi interpretar um personagem totalmente diferente dele mesmo. “Ele é bruto, enquanto sou educado; tem 30 anos, 11 anos a mais do que eu, sem contar os costumes da época, que são totalmente diferentes”, explica Rafael. Ele conta que sempre teve vontade de fazer teatro, e que conheceu a Companhia da Ilusão por meio de uma colega de escola, a Isabela Dionísio, que hoje integra o elenco da novela Malhação, da Rede Globo.
A filha, Aninha, foi interpretada por Maria Antônia Nobre, de 19 anos. Ela conta que o trabalho maior foi fazer a transição entre menina e mulher que a personagem exige e imaginar como era a vida na roça, o trabalho e a relação com a família. Maria Antônia conta que até mesmo o sotaque mineiro caipira, proposto pelo diretor, ela tirou de letra. “Foi só comer mais pão de queijo para entrar no clima”, brincou a atriz.
Sua mãe em cena, Alessandra Rizzi, de 20 anos, que interpretou Maria Rosa, conta que o trabalho de corpo foi o mais interessante nesse espetáculo. Ela é professora de dança, mas mesmo assim, encarou o trabalho no teatro como um desafio. “O que importa é falar com o corpo e não só com a voz”, explicou ela, que há um ano dá aulas de corpo para os alunos da Companhida da Ilusão.
Também participaram de O Juiz de Paz da Roça os atores André Gauthier, Damarys Fernandes, Johny Bruno, Kássia Gonçalves, Milena Santos, Sandro Mendonça, Sérgio Farias e Yara Thaís, todos alunos do Nível 1 do Curso de Teatro.
O autor
Luís Carlos Martins Pena nasceu no Rio de Janeiro, em 1815 e morreu em Lisboa, em 1848. Dramaturgo e diplomata, ele introduziu a comédia de costumes no teatro brasileiro, o que lhe rendeu o título de “Molière brasileiro”. Sua ironia e humor foram usados para retratar as desventuras da sociedade brasileira de sua época, incluindo não só os costumes familiáres como também as práticas das institucições nacionais.
Créditos: MATÉRIA: Mariana Zanatta. FOTOS: Companhia da Ilusão
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