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AS BEATAS
As beatas solteironas e “rabugentas” de São Sebastião do Piripaco não gostaram nada quando o novo vigário – bonito, jovem e trajando calça jeans – chega à cidade para substituir o conservador padre Onofre. Cheio de idéias novas, o novo padre indica logo na chegada que muita coisa vai mudar por ali. Esse é
o pano de fundo da peça “As Beatas”, com texto e direção de Alberto Bruno, que foi levada ao palco do CNEC nos dias 23 e 24 de junho pelos alunos de Nível 1 do Curso de Teatro da Companhia da Ilusão.
Roni Lins, de 60 anos, que interpretou o prefeito de São Sebastião do Piripaco, conta que se matriculou no curso de teatro junto com os filhos, de 27 e 29 anos. Ambos estão no elenco de outra montagem do Projeto Teatro de Bolso – O Juiz de Paz da Roça, de Martins Pena. Roni conta que não se arrependeu da sugestão dos filhos. “O teatro melhora as pessoas como seres humanos e permite que se viva as circunstâncias propostas pelo autor”, ressalta ele. “Estou vibrando! Gostei muito da experiência, que proporciona entrosamento de grupo e força as pessoas a se comunicar e a se soltar”, ressalta Roni.
Cada ator do elenco entrou para o teatro por um motivo diferente. Luiame Xavier, de 28 anos, por exemplo, conta que sempre se achou um pouco tímida e decidiu fazer teatro para aprender a se expressar melhor. “Já deu para sentir uma grande melhora nesse primeiro semestre de curso”, conta ela, que interpretou duas personagens. No primeiro dia de espetáculo, ela viveu Maria de Jesus e, no outro, Maria do Carmo. “O maior desafio foi criar duas personagens tão diferentes. A começar pela idade, porque uma é velha e a outra mais novinha”, explica Luiame.
Ela intercalou as personagens com Ludmila Pessoa, de 20 anos, que interpretou Maria do Carmo no primeiro dia e Maria de Jesus no segundo. “Eu já tinha feito aulas de interpretação para TV, mas o teatro é muito diferente. O contato com o público é instantâneo no teatro. Você tem o feedback do público no momento em que a cena está acontecendo”, compara a atriz. “Quando você faz teatro, fica mais preparado para atuar em outros campos”.
Virgínia Paulinelli, de 31 anos, também interpretou uma das irmãs, a Maria Aparecida. Ela conta que sempre teve o sonho de fazer teatro, mas acabou adiando o sonho para se dedicar à formação em medicina. “Agora que me formei, decidi me dedicar às coisas que tinha vontade”, conta ela, que tinha o teatro no topo da lista. Ela conta que foi um desafio criar a personagem “velha e rabugenta”, principalmente no que se refere à voz. “Deu para brincar bastante”, afirma Virgínia.
Para Mônica Costa, de 26 anos, que interpretou Maria do Socorro, o teatro é uma “brincadeira séria”. Ela conta que o teatro exige mais disciplina e dedicação do que ela esperava. “É muito detalhe. Mas estou bem feliz e quero continuar me divertindo nos outros semestres do curso”, afirma.
O colega de elenco Lucas Sena, de 20 anos, interpretou o padre jovem e contemporâneo que chega à cidade para substituir o antigo padre. “Busquei inspiração no padre Fábio de Melo, porque ele tem características semelhantes às que foram propostas no texto de Alberto Bruno”, conta ele. Lucas conta que, desde criança, gostava de assistir a peças de teatro. “Decidi ter a experiência de estar do outro lado do palco”.
Augusto Casanova, de 27 anos, interpretou a personagem mais “tagarela” da peça, Maria do Amparo. “Haja texto para decorar!”, comenta ele, que participou também de outra montagem neste Projeto Teatro de Bolso – a peça Húmulus e a Duquesa de Bringnoc. Augusto conta que as montagens teatrais da companhia são bem mais sérias e profissionais do que ele esperava ao se matricular no curso. “Acho melhor assim”, afirma.
Já Renan Dantas, de 23 anos, conta que teve várias experiências em teatro amador, na igreja que freqüenta. Ele decidiu se matricular na Companhia da Ilusão para aprender mais e também para ter oportunidades em trabalhos comerciais. Para sua sorte, o primeiro convite para um trabalho comercial não demorou nem mesmo um semestre. Por ter o perfil exigido em uma das montagens comerciais da Companhia da Ilusão, ele foi convidado para integrar o elenco da peça “Eu Espero Eu Desespero”, texto de Alberto Bruno que deverá entrar em cartaz no CNEC em agosto.
Também participaram da peça as atrizes Analu Faria e Luna Carpes.
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