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Maria de Las Dolores Humidjada Mas Feliz

A peça Maria de Las Dolores Humidjada Mas Feliz, encerra a 17ª edição do Teatro de Bolso com muito humor. Uma comédia pastelão em que mocinhos e vilãs “hablam” em portunhol as confusões e intrigas de uma história mui exagerada. Os alunos do Nível I interpretaram personagens irreverentes e tiveram direção de Alberto Bruno que também é o autor da história.

A mistura de comédia pastelão aos moldes de um folhetim mexicano satirizou os erros de lógica dessas produções: um bebê que já nasce vestido, siamesas que se soltam por um tropeção de uma cigana e é claro o final tão ‘inesperado’, típico de folhetins: a empregada e pobre mocinha, neste caso um pouco fora do padrão de beleza convencional, se casa com o herdeiro da família rica. A diferença deste final é que a mocinha pobre é meia-irmã do seu futuro marido.

Toda história mexicana que se preze, tem que ter uma Maria. A história começa justamente com o nascimento da pobre Maria das Dores interpretada por Fillipe Nobu. Dançarino e coreógrafo, Filipe comentou que saber dançar ajudou-o com a personagem, pois Maria dançava para conquistar Rodolfo Albrunhoz. “Além de dançar como uma dama, tive que aprender a cair no chão, girar com o figurino de mulher e fazer o olhar sedutor de uma dançarina sensual. Tudo isso falando em portunhol.”, diz Filipe.

No início da trama, Maria é abandonada pela sua mãe quando ainda era um bebê, a camponesa Carmela, personagem que possui um ar frágil e meigo e com o desenrolar da trama passa a se transformar na azeda governanta que vai trabalhar na casa dos Albrunoz para se vingar. A criança é criada pela Dionísia Pompéia Albrunoz, rival de Carmela. Alline Castro interpretou a matriarca da história, Dionísia Pompéia. “Uma mulher com o coração bom, mas em compensação bipolar. Na mesma hora que estava triste, já estava feliz, e quando estava velha, já era nova novamente”, diz Aline.

Antônio Rodolfo é o mocinho, filho único de Dionísia, apesar de casado com Michele Romilda está apaixonado por Maria das Dores. Além do drama natural de sua vida e das dificuldades no amor, a empregada da casa tem como aliada a azeda e maldosa Carmela, a governanta da mansão que nutre uma verdadeira simpatia pela empregada, que se não fosse pela intervenção de Carmela, já teria sido expulsa da casa com a falsa acusação de ter roubado as jóias da família. Leonardo de Almeida contou sobre sua malvada personagem. ”Carmela é a representação da vilã mexicana, pura maldade. Verdadeira bruxa, ela é mais malvada que o Esqueleto do He-Man, uma versão feminina do Zé do Caixão”, diz Leonardo.

Para Fabrício Gonzaga, a dificuldade estava em construir dois personagens em um só. A bondosa Carmela no início e a maldosa Carmela do meio para o final da trama. “São dois personagens: a Carmela jovem é mocinha, vaidosa e serelepe; a Carmela velha é má, vingativa e cruel. O que foi mais importante para mim foi ter a oportunidade de criar um ser temido e uma maldade extrema, como não só se vê em uma comédia ou filme da Disney,”afirma.

Michelle Romilda-da-da-da (todos os personagens enfatizam o ‘da’ ao chamá-la) é outra vilã da peça típica das rivais das novelas mexicanas, ‘a La’ Soraia Montenegro, vilã de Maria do Bairro ou a malvada Angélica, vilã de Marimar.

A rival da pobre Maria das Dores “é uma mulher. interesseira, metida, tudo de pior”, diz Bárbara Ceresa que interpretou a vilã na apresentação de sábado. Barbara conta que amou fazer a personagem e que entrou na Companhia da Ilusão com o intuito de que o teatro a ajudasse com a música. “A sensação de interpretar a personagem foi muito nova, pois foi a primeira vez que pisei no palco como atriz, é diferente de quando estou no palco como cantora. Acredito que cantando você interpreta a música e no teatro você interpreta a personagem,” comenta. Arytanna Ferreira interpretou Michelle Romilda na apresentação de domingo. “A dificuldade foi pegar a postura dela e a personalidade que são diferentes das minhas, o jeito de andar também bem diferente do meu”.

No desenrolar da trama, a cigana Jezabel e seu filho, Alejandro são chamados para desvendarem quem é o verdadeiro ladrão das jóias. A cigana Jezabel é quem resolve este desenlace. Antônio Lopes que interpretou a Jezabel descreve-a como sendo uma ”cigana 171 do bem”. Antônio comenta sobre a dificuldade em fazer um papel feminino. “Não é a primeira vez que faço um personagem feminino, mas mesmo assim é difícil porque você não pode cair no estereótipo, nem fazer uma mulher muito masculinizada.”, diz.

Outras personagens fora do convencional que completam o dramalhão cômico são as duas netas xifópogas (siamesas ligadas pelo abdômen) de Dionísia, garotas que vivem brigando e se odeiam. “Minha personagem Tati Carpati vive brigando com a irmã que é recatada e só pensa em arrumar um marido.”, diz Bruna Wills que interpretou uma das irmãs siamesas. Manoela Pinheiro interpretou a irmã gêmea recatada, Pati Carpati. “Eu senti que o público gostou e se identificou com a personagem por ela ser puritana”, diz Manoela.

A peça foi contada por meio de narradores que se revezavam, mostrando as cenas que iam acontecendo. Apesar de serem seres invisíveis para os personagens, algumas vezes eles interagiam dizendo como deveriam agir. Aline Moura interpretou um dos narradores vestidos de Arlequim que participa e torce pelos mocinhos da história. “A proposta foi ser algo bem circense do teatro antigo. Inspirei-me nos palhaços do Cirque Du Soleil e também na comédia Dell´arte,” explica. Mari Rabelo interpretou um dos narradores vestido de velho. Mari comentou que a peça foi uma ótima escolha para a turma de iniciantes, pois valorizou todos os personagens.

Ju Maraschin, atriz convidada, que interpretou o jovem Alejandro, filho da cigana Jezabel elogia o texto. “É super engraçado, e acho que o público gostou bastante”, conclui.

A peça também contou com a participação dos alunos Adriana Menezes, Carolina Florence, Cinha Tenser, Eddy Marques, Flavia Daniele, Gabriela Speziali, Rafael Nogueira e Samantha Melo.


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